Cirurgia bariátrica pode tornar o homem infértil

O aumento da obesidade no mundo faz crescer, cada vez mais, a procura pela cirurgia bariátrica como forma de emagrecer.

No começo, a gente ouvia falar mais do público feminino sendo direcionado para esta intervenção, mas nos últimos anos, confesso que ao meu redor homens fizeram a cirurgia para prevenir problemas de saúde decorrentes da obesidade.

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O que pouca gente sabe, entretanto, é que esse procedimento pode alterar a fertilidade do homem, diminuindo o número de espermatozoides (oligozoospermia) ou até mesmo til, azoospérmico (sem espermatozoides), tornando-o infértil.

Segundo o Dr. Edson Borges Jr., especialista em reprodução humana e diretor científico do Fertility Medical Group, os homens com excesso de peso já têm uma diminuição da mobilidade e do número de espermatozoides, por causa da obesidade.

Quanto maior o peso (o índice de massa corpórea – IMC), maior a alteração seminal.

mohamed_hassan/pixabay

Na cirurgia bariátrica, onde ele perde peso muito rapidamente, há uma mudança drástica de seu metabolismo, o que ofende bastante os testículos.

“Não é incomum que o homem que já tinha uma alteração seminal pela obesidade fique azoospérmico (sem espermatozoide) após esse procedimento.”

A recomendação para quem pretende fazer essa cirurgia e quer ter filhos é que procure uma clínica e faça uma avaliação seminal.

No site do Hospital Sírio-Libanês há uma explicação boa para leigos sobre o assunto, e foi lá que encontrei também um padrão de medidas com  valores da análise seminal considerados anormais pela OMS:

  • Volume do ejaculado inferior a 2,0 ml.
  • Concentração de espermatozoides inferior a 20 x 106 por ml.
  • Número total de espermatozoides inferior a 40 milhões.
  • Motilidade dos espermatozoides inferior a 50% das células com progressão linear e grau de qualidade inferior a 2 (escala de 0 a 4).
  • Morfologia dos espermatozoides com formas normais abaixo de 30%.

Espermograma é o exame mais importante para o homem quando falamos na identificação de possíveis problemas relacionados a Reprodução Assistida.

 

Depois, deve congelar seus espermatozoides, pois existe a real probabilidade (embora pequena) de ficar azoospérmico definitivamente.

O médico explica que o espermatozoide é produzido a cada 60/65 dias. Assim, o ideal é que, após a cirurgia bariátrica, se faça uma avaliação seminal a cada dois ou três meses. Caso, após um ano, quando ele já estabilizou seu peso, a sua produção espermática esteja normal, ele não corre mais o risco de ficar azoospérmico. Aí, o congelamento pode ser desprezado.

kalhh / Pixabay

Outro fator que vale a pena comentar: o estilo de vida (do pai e da mãe) influencia a qualidade do embrião.

Uma pesquisa com 519 pacientes, dos quais cerca de 270 precisaram de fertilização em vitro para ter um bebê. Vejam o que eles contam:

“Quando avaliamos o desenvolvimento inicial deste embrião, ou seja, esse embrião fecundou e fica cinco dias no laboratório, nos seus três primeiros dias de divisão, que chamamos de estágio de clivagem, vimos que quanto pior o estilo de vida em relação a hábitos deste casal, pior a qualidade embrionária, e claro, quanto melhor, melhora a qualidade embrionária.

Relativo a quê? Casais com maior ingestão de carne vermelha, álcool e cigarro, o desenvolvimento desse embrião até o terceiro dia foi pior. Consequentemente para os casais em que o consumo de cereais é mais frequente, há a regularidade na alimentação fazendo entre 3 e 4 refeições por dia, os bons hábitos fazem bem para o corpo e para o organismo. O bacana da pesquisa é que vimos que faz bem para o embrião também.”

belindalampcc / Pixabay

Há uma mudança real da qualidade do espermatozoide nos últimos anos e a culpa disso é dos hábitos atuais. 

A equipe o especialista em Reprodução Humana Assistida, Dr Edson Borges Jr., avaliou  seus pacientes dividindo-os em dois períodos: de 2000 a 2002 e de 2010 a 2012.  Eles foram separados por uma década com a mesma queixa: “não consigo engravidar”.

Vejam o que ele conta:

 

“Pegamos duas mil e trezentas amostragens que é estatisticamente forte, em que vimos homens com a mesma idade e com o mesmo volume ejaculado e avaliamos o quanto era o volume de espermatozoides agora e dez anos atrás. A concentração espermática, que são os números de espermatozoides, veio de sessenta e um milhões, dez anos atrás, para vinte e sete milhões agora. Existiram trabalhos que viram essa história, não com números tão grandes, mas a gente via que não era uma queda muito expressiva.”

O médico vai além e conta que verificaram o mesmo em relação à forma do espermatozoide:

“Um dado muito importante para ver a capacidade do espermatozoide de fecundar o óvulo, chama-se morfologia. Isto é, daquele montão de espermatozoides, uma porcentagem muito pequenininha é viável. Então, consideramos o normal de morfologia de quatro por cento. Quando pegamos aquela população de dez anos atrás, a morfologia média era de 4.6 % e essa população, dez anos depois, foi para 2.7%.  O que também assustou e que são as situações piores em relação à fertilidade é que esse homem tem pouco espermatozoide, que se chama oligospermia,  ou não tem espermatozoide, que se chama azoospermia. Vamos aos números: 10 anos atrás, o número de homens com oligospermia era 16%. Para essa população, dez anos depois, é de 30%. Vamos falar da pior situação que é a azoospermia: 5% dos homens, dez anos atrás, tinham a azoospermia, e agora, 8.5 %. O único fator de mudança foi o tempo e toda essa bagunça no nosso estilo de vida.”

 

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