ABC para decoração do quarto infantil

Não é fácil definir o primeiro passo para projetar um quarto infantil. Esse é o cômodo da casa onde os limites são cruzados e tudo é possível: desde a criação de um ambiente neutro, que pode ser modificado em alguns detalhes para acompanhar o crescimento da criança, até um espaço que cumprirá a função – tanto de parque de diversões da imaginação quanto de dormitório relaxante. É fato que, no local dedicado aos pequenos, é importante estimulá-los e oferecer conforto.

Recebi algumas dicas da arquiteta Karina Korn para planejar quartos infantis.

Como mãe de alérgicos, meu único senão é com os móveis fixos. Por aqui nunca funcionaram bem para manter o quarto higienizado como a alergista pede, por isso de embutidos temos apenas os guarda-roupas, que ficam em nichos já delimitados no projeto do edifício. 

Mas as outras dicas são boas! Vejam só:

1. Espaço

“Para criar um quarto funcional, eu prefiro deixar o maior espaço possível no ambiente”, explica Karina. A arquiteta é adepta da cama encostada na parede, para que o centro do quarto seja destinado às brincadeiras. Porém, enfatiza que nem sempre precisa ser exatamente assim. Quartos mais enxutos podem contar com móveis funcionais que otimizam a área de brincar e não deixam o lúdico de lado.

2. Limpeza

A dica de ouro para manter os móveis sempre limpos e conservados é apostar no MDF e na fórmica. “A criança vai naturalmente brincar e sujar, riscar o móvel com suas artes. Assim, sugiro os materiais mais fáceis de limpar”, conta. Ela evita pintura em laca e, em alguns casos, até a madeira, já que itens muito usados pelas crianças, como as canetinhas, costumam impregnar nos veios, se tornando parte permanente da ‘decoração’.

3. Neutralidade

Quando o assunto são os móveis, principalmente os embutidos, a profissional aposta no branco, nos tons amadeirados e no cinza claro. Por qual motivo? “Assim, conforme a criança cresce é possível trocar apenas o que não é fixo. A colcha de bolinhas azuis, por exemplo, dá lugar a uma com desenho de grafite”, explica. Dessa maneira, em poucos passos cria-se a transição de um quarto de criança de oito anos, para um de doze anos. A parede também é grande aliada nessa tarefa – basta uma pintura ou uso de papel de parede para “crescer” o ambiente, transformando-o quase que por completo.

4. Cores

Com os móveis neutros, ainda sobram muitos espaços para apostar na cor. O difícil é decidir quais usar, já que o universo infantil permite uma gama de opções, dos delicados tons pastel aos mais vibrantes. Karina gosta de relembrar que não é preciso cair na dicotomia “rosa para meninas, azul para meninos”. De acordo com a arquiteta, o mais valioso é ouvir a opinião da própria criança. “Esse é o segredo da decoração infantil. Não adianta quebrar a cabeça sobre combinações de cores, por exemplo, se no final delas gostar do ambiente onde habitarão”, conta. “A partir daí alegramos o ambiente com o arco-íris que permeia o mundo dos baixinhos”, enfatiza.

Isso vale, inclusive, para quartos compartilhados. Nesse caso, é possível criar um fundo neutro e personalizar o cantinho de cada criança com adesivos de paredes e suas cores preferidas, combinando as preferências de todos os moradores mirins.

Dessa forma, é possível fazer com que cada uma mantenha sua individualidade e se sinta importante. “Também temos muitos tons mais neutros se queremos levar o quarto para uma cor só. Verde e amarelo também são muito bem quistos”, finaliza.

5. Lúdico

Pensando no décor lúdico, quanto mais espaço, mais bacana. “Procuro colocar sempre um cantinho para os livros. Temos que deixar à mão o que achamos mais importante.”, explica. O quarto acessível estimula a criança a dominar o próprio espaço e conseguir encontrar sozinha seus pertences como roupas, jogos e livros, além desfrutar do conforto para dormir.

6. Alturas

“A bancada para o quarto kids não tem segredo”, revela Karina. De acordo com a arquiteta, ela é especificada com altura padrão, já que a criança cresce rápido. Nesse caso, preserva-se a marcenaria por todas as fases do crescimento. Porém, artifícios ajudam a torná-la mais acessível, como o caso de gavetas-baús e uma mesa encaixada que pode ser retirada da mesa principal e usada em qualquer canto do quarto.

 

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