Dia Mundial de Conscientização do Autismo

 

O Dia 2 de abril é reservado para a Conscientização Mundial do Autismo, transtorno global do desenvolvimento que atinge uma em cada 160 crianças, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), popularmente conhecido apenas por Autismo, já foi diagnosticado em mais de 70 milhões de pessoas no mundo, sendo cerca de 2 milhões somente no Brasil.

Muita gente se surpreende com o número de diagnósticos, que aumentou agora que temos mais facilidade de fazer exames e também de consultar especialistas apropriados, mas eu sempre tive famílias amigas que conviviam com autismo e desde 1991 acompanho entidades de apoio a autistas, pois meu clube de Interact (do Rotary Club) se voluntariou nesta área quando minha irmã (não por acaso, hoje médica) foi presidente do grupo.

Autismo é um transtorno global do desenvolvimento marcado por três características fundamentais:

  • Inabilidade para interagir socialmente;
  • Dificuldade no domínio da linguagem para comunicar-se ou lidar com jogos simbólicos;
  • Padrão de comportamento restritivo e repetitivo.

O grau de comprometimento é de intensidade variável: vai desde quadros mais leves, como a síndrome de Asperger (na qual não há comprometimento da fala e da inteligência), até formas graves em que o paciente se mostra incapaz de manter qualquer tipo de contato interpessoal e é portador de comportamento agressivo e retardo mental.

Tenho amigos que só entenderam que tinham Asperger depois de adultos, já formados, bem empregados e bem casados. Tenho amigos com filhos com intensidades variadas de TEA e na escola dos meus filhos (Ensino Médio e EMEI) tem colegas com TEA.

O Autismo começa na infância e pode persistir na adolescência e na idade adulta. Nos primeiros cinco anos de idade já é possível notar alguma característica do transtorno, seja na comunicação ou ao realizar atividades.

“Antes dos três anos de idade os sinais começam a aparecer e são acompanhados pela dificuldade de interação com os pais e com outras crianças. É comum, nestes casos, dar nome a coisas, mas não dizer, por exemplo, “papai ou mamãe”. Elas ficam fixadas em rituais comportamentais, estímulos sensoriais e prestam atenção a situações que para algumas pessoas não dão tanta importância.” 

Quem explica é Ronney Eustórgio Machado, psiquiatra da NeuroAnchieta, que ressalta outros pontos. Algumas pessoas relacionam o TEA com vacinas, mas não há evidências de uma associação entre imunizações e o Autismo. E que essa é uma questão do desenvolvimento que tem interface com muitas áreas da medicina.

“Sabe-se que problemas gestacionais podem estar na etiologia do Autismo. Portanto, como sempre, é extremamente importante um bom pré-natal e a conscientização da mãe, principalmente, a fim de manter uma boa saúde física e emocional durante a gestação.”

Uma vez identificadas, as crianças com TEA e suas famílias precisam receber informações relevantes que auxiliem no desenvolvimento e possibilitem levar uma vida normal.

“Tem que haver um bom suporte sócio familiar para disponibilizar o acesso adequado às necessidades básicas da pessoa com o TEA. Esse suporte é bastante multifatorial, com acesso a médicos, terapeutas, psicólogos, fonoaudiólogos, assistência social e psicopedagógica. Além disso, é claro, importante viver num ambiente acolhedor e sem estresses.”

O Autismo ainda não tem cura, mas como os sintomas se manifestam cedo, os pais devem levar a criança a um pediatra e este conduzirá para os profissionais adequados. Com intervenções psicossociais, tratamento comportamental e programas de treinamento de habilidades para a família e outros cuidadores, é possível reduzir as dificuldades de comunicação e proporcionar mais qualidade de vida.

Vale lembrar:

“O autismo acomete pessoas de todas as classes sociais e etnias. Seu grau de comprometimento pode ser leve ou mais grave, em que o paciente se mostra incapaz de manter contato interpessoal.”
Drauzio Varella

De acordo com o quadro clínico, quem tem TEA podem ser divididos em 3 grupos:

  • Ausência completa de qualquer contato interpessoal, incapacidade de aprender a falar, incidência de movimentos estereotipados e repetitivos, deficiência mental;
  • O portador é voltado para si mesmo, não estabelece contato visual com as pessoas nem com o ambiente; consegue falar, mas não usa a fala como ferramenta de comunicação (chega a repetir frases inteiras fora do contexto) e tem comprometimento da compreensão;
  • Domínio da linguagem, inteligência normal ou até superior, menor dificuldade de interação social que permite aos portadores levar vida próxima do normal.

O diagnóstico é essencialmente clínico. Leva em conta o comprometimento e o histórico do paciente e norteia-se pelos critérios estabelecidos por DSM–IV (Manual de Diagnóstico e Estatística da Sociedade Norte-Americana de Psiquiatria) e pelo CID-10 (Classificação Internacional de Doenças da OMS). Saiba mais na entrevista sobre como diagnosticar o autismo na infância comJosé Salomão Schwartzman no Portal Drauzio Varella.

Até o momento, autismo é um distúrbio crônico, mas que conta com esquemas de tratamento que devem ser introduzidos tão logo seja feito o diagnóstico e aplicados por equipe multidisciplinar. Não existe tratamento padrão que possa ser utilizado. Cada paciente exige acompanhamento individual, de acordo com suas necessidades e deficiências. Alguns podem beneficiar-se com o uso de medicamentos, especialmente quando existem co-morbidades associadas.

Recomendações:

  • Ter em casa uma pessoa com formas graves de autismo pode representar um fator de desequilíbrio para toda a família. Por isso, todos os envolvidos precisam de atendimento e orientação especializados;
  • É fundamental descobrir um meio ou técnica, não importam quais, que possibilitem estabelecer algum tipo de comunicação com o autista;
  • Autistas têm dificuldade de lidar com mudanças, por menores que sejam; por isso é importante manter o seu mundo organizado e dentro da rotina;
  • Apesar de a tendência atual ser a inclusão de alunos com deficiência em escolas regulares, as limitações que o distúrbio provoca devem ser respeitadas. Há casos em que o melhor é procurar uma instituição que ofereça atendimento mais individualizado;
  • Autistas de bom rendimento podem apresentar desempenho em determinadas áreas do conhecimento com características de genialidade.

10 Coisas que todo autista gostaria que você soubesse do Canal Diário de um Autista.

 

Graças ao Marcos Petry, conheci o canal de Mayra Gaiato, psicóloga especializada em Autismo Infantil.

 

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