Fortnite, mocinho ou vilão?

Se você tem filhos com 9 anos ou mais, certamente conhece o jogo Fortnite. Até o final de 2018, Fortnite tinha mais de 200 milhões de usuários cadastrados pelo mundo. Além do jogo ter o maior número de usuários, se tornou também o jogo mais lucrativo de todos.

Para quem não conhece o jogo funciona da seguinte forma: jogadores participam de partidas online com até 100 pessoas ao mesmo tempo sobre um pequeno território, com o objetivo pegar itens como armas, munição e poções que encontrarem pela frente e eliminar os rivais até ser o único com vida no final. (Existem outros modos dentro do jogo como o creative onde o grupo determina objetivos entre si ou pode ficar só construindo e explorando o território).

O grande sucesso do jogo veio principalmente pelos gráficos. Apesar de ser um jogo de combate, não existe realismo. Os jogadores não morrem com sangue, mas “desintegram”. Os personagens (skins) e armas tem gráficos coloridos, engraçados e muito criativos. Por exemplo, um martelo que quando usado para quebrar algo toca notas musicais. Além disto, possuem inúmeras danças divertidas como popcorn (pipoca), floss e best mates (de memes da internet).

Tudo isto torna o jogo engraçado e divertido.

Fortnite está disponível gratuitamente para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch, PC, Android e iOS.

O lado vilão

De onde vem todo o lucro do Fortnite? Dos vBucks, o dinheiro do jogo. Os vbucks podem ser adquiridos participando de passes de batalha ou sendo comprados. Existe o passe gratuito e o pago. No pago você consegue vbucks para usar em novos passes ou compar skins, mochilas, armas especiais e danças.

Percebo nas crianças quase uma aflição para ter determinada arma, dança ou acessório. O nosso combinado é não comprar nada no jogo. O pai comprou um pacote em promoção para ele participar do passe pago e agora se vira com o que ganha nas partidas. Como também na vida offline, é preciso ensinar o consumo consciente.

O que mais me incomoda no jogo e certamente o que mais motiva os jogadores a não pararem de jogar,  são os desafios semanais, toda quinta. Os desafios têm prazo a ser cumprido. Isto cria uma enorme ansiedade nas crianças e adolescentes (e até em adultos) para completar todos os desafios a tempo. É a gamificação sendo usada para criar a necessidade de jogar. Sem cautela, cria o vício.

Aqui em casa isto não estava sendo legal. Já existia um limite determinado de tempo que permitíamos que jogasse, mas notamos uma diferença absurda quando cortávamos o jogo por completo. Volta e meia cortamos o jogo. Quando pode jogar, deve respeitar o tempo que determinamos par ao uso de qualquer eletrônico.

Conversei muito com meu filho (com recém 12 anos) que refletisse como ele se sentia sem jogar e como ficava após jogar. Também perguntei inúmeras vezes a ele “o que não cumprir um desafio do jogo irá causar na sua vida? Não realizar os desafios irá mudar algo na sua vida?”. Noto que o diálogo e levá-lo a refletir ajudou muito, mas ainda é preciso que controlemos o uso.

E o lado mocinho?

Cooperação, estratégia, negociação e liderança.

O jogo é cooperativo, você joga em times (algumas modalidades em dupla ou grupos menores), você pode conversar com outros jogadores bolando e negociando estratégias e as funções de cada um. Nisto vejo meu filho:

  • negociar,
  • apazigar ânimos,
  • liderar,
  • buscar soluções.

Como o jogo está no mundo todo, ele joga com pessoas que falam diversos idiomas. Ele já conversa e negocia em inglês e, apesar de nunca ter estudado, começou a pesquisar e me perguntar como se fala algumas frases em espanhol. Vibrou quando descobriu que este ano teria espanhol na escola. A criança não só sentir a necessidade de falar outro idioma, mas pratica-lo, é uma grande ajuda no aprendizado.

Claro que isto requer um cuidado extra. Ele só pode jogar na sala ou no escritório. Estamos sempre atentos aos diálogos que acontecem e desde bem cedo converso com ele sobre adultos que buscam enganar crianças online, seja se passando por outras crianças ou tentando se passar por amigos quando suas intenções não são das melhores.

Concordo com o que psicólogos e educadores falam, brincar em grupo e ao ar livre, seria a melhor opção. Tirando o idioma, ele poderia desenvolver todas as aptidões que citei, mas nem sempre isto é possível. Morando numa cidade grande e com os 2 pais trabalhando, sem um local de encontro que ele pudesse (como eu fiz na infância) brincar livre sem nossa supervisão, o eletrônico acaba sim sendo um local de interação.

Claro que é preciso equilíbrio, controlar o tempo e conseguir tempo para brincadeira ao ar livre.

E vocês? Como lidam com estas questões? Seus filhos jogam Fortnite? O que acham do jogo?

UPDATE – Vingadores Ultimato: Enquanto escrevia o post, na semana do lançamento de Vingadores: Ultimato, o Fortnite lançou o modo End Game onde os jogadores são aleatoriamente os mocinhos ou bandidos do jogo. Meu filho logo quis gravar um gameplay sobre isto. Fica aquip ara quem ainda não conhece.

Notícias curiosas sobre Fortnite.

Agência Francesa utilizou o Fortnite para conduzir entrevistas de emprego

DJ Marshmello realizou show dentro do Fortnite

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s