Cinco importantes competências sociais para desenvolver nas crianças pequenas

Trago um texto muito interessante que li e me fez pensar nos modelos de pré-escola dos meus filhos mais velhos (uma bilíngue japonesa em Curitiba e outra sócio-construtivista em São Paulo) e na EMEI que minha filha caçula frequenta. Em 13 anos (a diferença de idade do meu mais velho, que está na universidade, para a mais nova) muita coisa mudou, não só nas escolas, mas no modo como eu entendo o tempo da criança.

Em tradução muito livre, o texto diz:

Embora a educação inicial crie uma base importante para as habilidades acadêmicas, muitos pais ficariam surpresos em saber que as habilidades sociais são na verdade muito mais preditivas dos resultados para a vida adulta do que as vantagens acadêmicas do começo da vida escolar.

Por exemplo, um estudo publicado em 2015 mostrou que, mesmo controlando a demografia familiar e a capacidade acadêmica inicial, as habilidades sociais observadas no jardim de infância mostraram correlação significativa com o bem-estar aos 25 anos.

Independentemente de quão avançadas eram suas leituras ou quanto dinheiro seus pais ganhavam, os alunos de jardim de infância que demonstravam competência social eram mais propensos a se formar no ensino médio, ir à faculdade, conseguir um emprego e ficar fora da cadeia do que aqueles que mostravam nível de competência social.

Assim, enquanto muitos pais e escolas podem estar sentindo a pressão para reduzir as brincadeiras e a interação social, a fim de obter mais tempo de instrução em “habilidades difíceis”, na verdade são as “habilidades sociais” que são mais indicativas do sucesso a longo prazo.

☺️

Aqui estão cinco importantes competências sociais que você pode promover nos seus filhos pequenos:

1. Como brincar bem com os outros

A brincadeira é um poderoso catalisador para o desenvolvimento nos primeiros anos. Ao brincar com os outros, as crianças aprendem a negociar, resolver problemas, revezar, compartilhar e experimentar.

Você pode ajudar seu filho a desenvolver essas habilidades, dândi tempo para brincar livremente com outras crianças.

As aulas de dança, treinos de futebol e outras atividades físicas planejadas podem ter seu valor, mas as crianças precisam de muito tempo para brincadeiras desestruturadas com outras crianças, nas quais podem ser supervisionadas – mas não instruídas – pelos adultos ao seu redor.

2. Como resolver problemas

É tentador mergulhar no primeiro grito descontente e fazer tudo certo de novo. Confiscamos o objeto da briga, definimos tempo livre ou planejamos os tempos de cada atividade, colocamos as crianças para brincar em diferentes áreas. Somos bons em resolver problemas porque temos tanta prática como pais! E apesar disso ser necessário para a sobrevivência, nossos filhos também precisam dessa prática, precisam viver sem nossa supervisão.

Então, da próxima vez que seu filho tiver um problema, convide-o para participar desse processo de solução de problemas. Peça ao seu filho para descrever o que está acontecendo, faça um brainstorm de soluções e experimente um. Você ainda é um participante ativo, apoiando seu filho durante o processo, mas, em vez de resolver sozinho, deixe que seu filho tenha o problema perguntando: “O que você acha que poderia fazer a respeito disso?”

Ensinar uma criança a ser um solucionador de problemas também significa ensiná-los a falhar e tentar novamente. Quando perguntamos às crianças como a solução delas está funcionando, damos a elas uma oportunidade de avaliar sua experiência e fazer melhorias quando necessário. Estamos ensinando a eles que os erros nos ajudam a aprender e seguir em frente.

3. Como rotular e reconhecer sentimentos

As crianças que são perceptivas às emoções ao seu redor também são mais capazes de conviver bem com os outros. Você pode estimular essa habilidade chamando a atenção para sugestões emocionais e nomeando emoções, pois nem sempre a criança sabe explicar ou mesmo entender o que está sentindo.

Os livros de histórias são cheios de conflito e emoção podem ajudar. Essas conversas sobre emoções observadas são geralmente mais fáceis porque seu filho não está preso às próprias emoções turbulentas. Deste ponto de vista confortável, eles podem ser mais cuidadosos com as emoções na página e, em seguida, aplicar seu entendimento na vida real.

Outra coisa a ter em mente é que a pesquisa mostrou que o uso excessivo da tela pode interferir na capacidade da criança de reconhecer emoções nos outros.

⚠️

Portanto, certifique-se de que seus filhos tenham bastante tempo brincando e interagindo cara a cara com outros seres humanos, em vez de com pixels e luzes em uma tela.

4. Como ser útil

Ser útil aos outros exige que as crianças olhem para além de si mesmas e reconheçam as necessidades dos outros. Ao perceber e elogiar seu filho quando você percebe comportamentos úteis, incentiva-o a continuar.

Dê ao seu filho uma oportunidade simples de ajudar a sua família, guardando mantimentos, preparando a fralda recém-nascida do bebê ou ajudando um irmão a se vestir – e depois seja generoso ao demonstrar sua gratidão!

Apontar os ajudantes ao seu redor e mostrar gratidão juntos ajuda a incutir um valor de serviço. Mas não deve se tornar uma crítica indireta a quem ajuda menos, tampouco criar uma competição entre irmãos!

😉

5. Como controlar seus impulsos

O controle do impulso é uma parte das funções executivas dirigidas pelo córtex pré-frontal do cérebro. Esta área não se desenvolve completamente até o início da idade adulta, mas alguns dos desenvolvimentos mais rápidos ocorrem nos primeiros anos da infância.

É por isso que as crianças precisam de oportunidades para praticar essa habilidade crescente.

Faz de conta também é uma ótima maneira de construir essas habilidades. Ao assumir um novo personagem e um enredo imaginativo, as crianças precisam planejar antes de agir, revezar-se e fazer regras a seguir. Eles também praticam pensar fora de sua própria perspectiva e agem como pensam que o outro faria, em vez de simplesmente seguir seus próprios impulsos.

Nossa sociedade em ritmo acelerado pode dar a impressão de que seu filho precisa aprender mais habilidades acadêmicas – e mais cedo do que nunca. No entanto, a realidade é que as habilidades sociais “leves” que eles adquirem na primeira infância – através dos processos lentos e simples de brincar e interagir, engajar com suas famílias e prestar atenção ao mundo ao seu redor – os servirão muito melhor e muito mais tempo.

😊

(texto original em inglês de Amanda Morgan no Motherly, tradução de Mãe com filhos)

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