Heurói, somos todos

Quando recebi o release e convite da amiga Sam para cobrir o espetáculo Heuroi não pensei duas vezes: “tentarei ir” – partilhei. E consegui.

Ao chegar, deparamo-nos – meu marido estava comigo – com uma paisagem interessante: adolescentes e jovens lotando a recepção do teatro. Parei por alguns minutos a fim de admirar a cena: conversa animada, abraços apertados, leitura do release do espetáculo em voz alta. Ah, a celebração do encontro!

Como a faixa etária é livre, haviam crianças. Crianças acompanhadas de seus respectivos pais, e crianças – muitas! – da escola pública, acompanhadas por um grupo de docentes. Tive a oportunidade de conversar com algumas que expressaram muita animação com o passeio noturno e pelo fato de prestigiar um espetáculo de dança.

Sobre o espetáculo, ficou difícil conter as lágrimas – uma vez que conectei-me com a ‘minha’ própria história: a garotinha, nascida na periferia da zona leste de São Paulo, cuja linguagem artística, a salvou inúmeras vezes. Salvou-a da marginalidade, do descaso de si mesma, da auto violência e da tristeza pela ausência de “sei lá mais o quê”.

O espetáculo retrata a luta diária de milhares de pessoas que como diz o adágio “matam um leão por dia”. É possível conectar-se com a jornada desses “heurois”; são como cada um de nós. Suas experiências passam por tristeza, decepções, alegria, medo, paixão, conflitos, bom humor e uma boa dose de esperança.

Enquanto atravessam, constroem e reconstroem sua saga, somos só mesmo tempo atravessados por este universo de símbolos, significados e sentidos.

Serviço:

O ponto inicial do espetáculo é tratar da capacidade humana de se reinventar e prosseguir diante das perdas por meio do protagonista, um herói que não tem nada de especial como superpoderes ou máquinas, mas apenas o encanto e a vulnerabilidade de sua humanidade. Com humor e leveza, o espetáculo trata de temas delicados e parte da dança como principal instrumento não apenas dramático, mas de transformação social. ” É impressionante como estar em contato diário com o corpo mexe com inseguranças. Estar em cena nos coloca num lugar de força coletiva, que é assim que eu enxergo a dança. Heurói é um espetáculo que traz temáticas bem fáceis de entender. Nos atravessam”, explica Obede Queiroz, integrante do espetáculo.

  • Espetáculo Heurói
  • 3 e 4/7, quarta a quinta-feira, às 20h30.
  • Teatro Sérgio Cardoso (R. Rui Barbosa, 153 – Bela Vista, São Paulo/SP).
  • Recomendação etária: Livre.
  • Duração: 80 minutos.
  • Entrada gratuita. Distribuição de ingressos na bilheteria 1h antes do início do espetáculo.

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