Benvenuta, amica!!!

Conheci a Cibele há pouco mais de um ano. Ela veio participar de uma oficina minha (Pão terapia) junto com a Sam, nossa amiga em comum que, não só trouxe ela pra oficina, como se dispôs a estar junto pra cuidar dos pequenos Heitor e Henrique, para que a Cibele conseguisse participar.

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Do update anterior, um acréscimo: invista nas amizades que te valorizam, que te querem perto, que te fazem bem! Hoje “compartilhei” a querida @devaneios_de_forno com @cibelebilancieri e Nívia compartilhou com a gente não só sua capacidade ímpar de falar da vida, fazer terapia e curar o cansaço do #puerpério na oficina #pãoerperio da @lumoscultural, mas também nos apresentou novas amigas mães. Que tarde gostosa. Eu não pus a mão na massa, mas pude praticar a teoria de ser a vila para uma mãe que merece descanso, fui “tia” dos meninos da Cibele para ela aprender a fazer pão. Acho que eles gostaram, né? #amigas #mãesamigas #ittakesavillagetoraiseachild #familiaetudo #maecomfilhos #mãesreais #momblogger #colunistasmaecomfilhos #mãescristãs #maesepaiscomfilhos #mãedeadolescente #mãedemenina #mãedemeninos #attatchmentparenting #criacaocomapego #maede3 #paternidadeativa (por @samegui 👩‍👦‍👦mãe dos nerds #aos18 e #aos15👩‍👧e da pequena #aos5) 😘

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Foi um dia muito especial. Além dela, duas outras amigas pessoais estavam ali, presentes, a Clarissa, mãe da Letícia e grávida da Ana na época, e a Mari, mãe da Alice e de dois outros anjinhos. E a Dani, que estávamos conhecendo naquele dia, a única que carregava um bebê pequenininho no sling naquele dia. Sei q depois deste dia, elas torcem uma pela outra, tamanha a riqueza deste encontro.

Num clima muito intimista, entre ingredientes e etapas, lembro de ouvir a Cibele dizer às outras mães ali que não sabia direito o q fazer dali em diante. O Henrique já era um menininho e não mais um bebê. Lembro de ouvir ela falar em terceiro filho, em não ter mais vontade de voltar pro mercado de trabalho no seu lugar de origem. Lembro de ver um olhar perdido, a pele sem brilho, aquela expressão de quem não tá sabendo muito bem que lugar é aquele aonde foi parar. Esse lugar tão familiar pra nós mães, na transição entre aquela de antes e a que se constrói a partir da chegada dos filhos. Depois disso ela trouxe os pequenos pra fazer pão tbm numa outra oficina e ainda fizemos mais uma vez com a nossa turma toda #maecomfilhos lá na casa da Sam. E entre uma oficina e outra soubemos q ela nunca mais foi na padaria (risos).

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Da última oficina: demorei a postar as fotos lindas feitas pela @samegui para deixar ressoar em mim a beleza deste encontro. Esta oficina nasceu há quase dois anos, de um jeito meio assim, sem pretensões ou expectativas. Nesta última, as presenças inéditas me fizeram viajar de volta a cada um desses encontros e eu revisitei o primeiro questionamento do primeiro pão. A mãe que veio preocupada com o puerpério, ostentando sua barriga de grávida. A mãe que, amando a primeira experiência, quis vir de novo e de novo. A mãe que saiu desesperada depois de uma conversa tensa e veio buscar alento no calor daquela cozinha. A mãe que não aguentava mais tanta doação, mas não tinha a menor ideia de como se resgatar de volta. A mãe que veio com o pai, o pai que só cuidou do bebê, o pai que quis fazer o pão, o pai que veio sem a mãe. A filha que veio com a mãe e depois voltou mãe, com o filho e a avó. Mães e pais com RNs, com bebê maiorzinho, bebê grande, criança. Com gêmeos! E o choro que promoveu o choro, que promoveu o alívio, que foi acalentado no abraço. Que aqueceu com pão quentinho e café fresco o coração de quem ali esteve. E tantos, tantos encontros! Consigo mesma, com a própria angústia e o "não saber". O medo, a ansiedade, a insegurança transmutados na massa, acolhidos no encontro com a outra mãe, na história das outras, sentadas à mesa, como na casa da própria mãe, como quando filha e filho, na lágrima provocada pelas frustrações da vida, curada pelo colo, pelo cheiro e pelo gosto da transformação compartilhada à mesa. #devaneiosdeforno #VemPraLumos

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Pois bem. Nos reencontramos uns meses depois, na festa junina onde meu coral acabara de se apresentar.

Como o mundo é um ovo, descobrimos outra amiga em comum, a Naige, que canta comigo, então ela foi com a família toda nos assistir. Veio me abraçar no final e eu quase não a reconheço. Sério, seríssimo! Cadê a moça de olhar perdido que eu havia encontrado outras vezes? Pele e cabelo mais brilhantes que nunca e uma empolgação contagiante, veio nos perguntar da Itália. Tinhamos chegado de férias há dois dias e ela nos acompanhou pelas redes sociais. Contou que iniciou o processo de cidadania e estava fazendo toda a pesquisa de documentação da família Bilancieri e estudando italiano. Em dois minutos ela e meu marido já tinham virado amigos de infância, quiçá de ancestralidade. Marcamos um café pra trocar dicas, uma tarde deliciosa na nossa casa, nossos meninos juntos pareciam primos na casa da vó. E a Itália, essa nossa paixão em comum, foi o tema único de nossas conversas. A Cibele anotou todas as dicas possíveis, em pouco mais de um mês ela embarcaria pra sua aventura lá no Velho Mundo. Havia ali um sentido. O olhar passou a ser de quem redescobriu a capacidade de sonhar. O olhar de quem se apaixona e está prestes a descobrir qual é o seu lugar no mundo.

Eu me senti e sinto plenamente feliz e honrada em ter atravessado essa história e ser eleita como um pedacinho da escuta desta narrativa. Desconfio que fazer pão ajudou a construir esse caminho. Soube inclusive q ela fez pão brasileiro pros vizinhos na Itália.

Falamos por mensagem na semana passada e ela me contou que de fato achou seu lugar no mundo.

Agora ela está voltando pro Brasil depois de três meses por lá.

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Hoje, 23 de julho, completam 10 anos que meu pai faleceu. Os anos vão passando e a gente se habitua à ausência. Eu me acostumei a acreditar que ele continua vendo a beleza do mundo pelos meus olhos, pq no meu coração ele continua vivo, mas o fato é que a gente se engana, pq dói uma dor sem fim não ter mais aquela escuta atenta e interessada e doeu muito, pra valer, nesta nossa última viagem, saber que ele nunca vai ouvir as histórias sobre cada ruína, cada monumento, como é incrivelmente confortável viajar de trem bala e que a Air France tem um serviço de bordo bem melhor que da Allitalia. Que subir as Dolomitas é como tocar o céu e que a Luiza vibrou de felicidade ao encontrar neve que ainda não derreteu em pleno verão. Nos nossos últimos momentos no Vaticano, enquanto as crianças davam tchau pra fonte que fica na Praça São Pedro, essa da foto, eu chorei. Chorei como chorei no dia em que ele morreu, pq eu estava ali vivendo um sonho e só a idéia de que ele tbm estava ali vivendo isso através do meu amor não me bastou. Em tempos de tecnologia, eu queria mesmo é que ele estivesse no grupo de whatsapp e vivesse isso comigo deste plano aqui. Hoje fizemos pão com a criançada, minha mãe junto e eu só pensando que a vida é mesmo um sopro e só o momento presente é o que de fato importa. Guardo comigo seus últimos dias de dor e a impressão de que ele precisava viver tudo aquilo para que aceitasse que seu espírito já não merecia mais habitar o seu corpo cansado. E eu, que tinha tanto medo de que ele partisse sem que eu pudesse me despedir, ganhei, para sempre, o seu último olhar ❤️.

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Passou esta semana pela Fontana de Trevi, em Roma, desconfio que pra jogar a moedinha e garantir a volta. Tem uma história q se conta por lá de que se vc joga a moeda e faz o pedido, no ano seguinte vc volta. Com a minha família deu certo. Um ano e um dia depois, estávamos de volta jogando outra moeda. Lenda ou não, tenho pra mim q dia desses capaz de rolar encontro mãe com filhos por lá, regado a muito azeite, temperos e, claro, pão!

Agora a Cibele está voltando, junto com sua família, mais italianos do q nunca. Esse texto é o abraço quentinho esperando no desembarque, já ávido por ouvir as histórias q eles trazem na mala, já desejoso de seguir testemunhando essa narrativa, na torcida que é a marca registrada de nosso grupo, sob as bençãos de Deus que nos uniu e é cola q nos mantém ligadas, mesmo q a vida nos leve pra destinos tão diferentes. Benvenuta, amica. Benvenutti! Vi aspettiamo!

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