Educação domiciliar: reconhecendo as brincadeiras dos índios do Brasil

Nestes dias de educação domiciliar por conta da Covid19, uma das atividades de Ciências da Natureza da minha filha, de 7 anos, estudante do 1º ano do Ensino Fundamental de uma escola estadual paulista foi pesquisar e registrar em desenho brincadeiras indígenas.

Um dos primeiros vídeos que encontrei foi este:

E me remeteu a um relato que ouvi. Uma vez, há cerca de 8 anos, uma ex-colega de redação dos tempos em que trabalhei como jornalista em Toquio, no Japão, estava passeando aqui no Brasil e combinamos de nos encontrar para jantar. Fomos busca-la na casa de uma sobrinha e batemos um papo com a família antes de sairmos.

Como tenho trabalhado muito com o universo da família, logo minha ex-colega puxou um papo sobre a tese de doutorado da sobrinha ter sido sobre “brincadeiras de crianças indígenas”, criando assim um tema em comum para quebrar o gelo.

O que a moça me disse me impressionou sobremaneira. Ela disse que não faria novamente aquilo. Por quê, perguntei, é claro, e imagino que quem lê sinta a mesma curiosidade.

Ela contou que como observadora, ela viveu por meses em tribos indígenas da Amazônia Legal,  área que engloba Amazonas, Acre, Amapá, Rondônia, Pará e Roraima nove estados do Brasil pertencentes à bacia Amazônica e à área de ocorrência das vegetações amazônicas.

Ela simplesmente observava, não podia interferir em nada, não podia levar a sua “cultura” para lá, sob o risco de alterar de forma indelével a dos nativos. 

E assim, tinha que testemunhar diariamente bebês sendo deixados sob os cuidados de crianças pequenas, banhos de rio que poderiam matar por afogamento, meninas de 3 ou 4 anos empunhando facões, entre outras coisas que para nós parecem assustadoras.

Outro vídeo nos mostra crianças da aldeia Yudja no Mato Grosso:

Curiosidade: além dos indígenas da Amazônia Legal, temos tribos no Sul. No meu Paraná, os Kaigangs e os Guaranis são povos ainda vistos com frequência e protegidos. Há estudos sobre as brincadeiras das crianças de suas tribos também, como este:

OS JOGOS E BRINCADEIRAS INDÍGENAS NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA
Autora: Elaine Teresinha Kuhn
Orientador: Prof. Dr. Gustavo André Borges.

Outro trabalho inclui a etnia Xetá:

Crianças indígenas: o papel dos jogos, das brincadeiras e da imitação na aprendizagem e no desenvolvimento“, por Rosangela Celia Faustino e Lucio Tadeu Mota, da UEM.

E há um trabalho forte e bonito sendo feito por indígenas como Eli Ticuna, que tivemos a honra de receber em nossa igreja no ano passado, quando ele fazia seu mestrado na Mackenzie. Neste vídeo, ele conta um pouco do trabalho que faz e que respeita as tradições do seu povo, dando aos interessados um novo olhar sobre a vida.

 

O Brasil tem 3.345 escolas indígenas e registrou mais de 255 mil matrículas nestas unidades, segundo o último censo do MEC. Mas que proposta pedagógica as etnias reivindicam exatamente? Neste programa, Bernardo Menezes entrevista Algemiro da Silva Karay Mirim, professor; Ana Paula da Silva, historiadora e pesquisadora do Proíndio/UERJ; Alberto Guarani, cineasta.

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