Sobre ser mãe

Há muito tempo eu não escrevo no blog é o motivo é: ainda não consigo colocar conciliar as minhas responsabilidades como mãe, tarefas em casa, rotina de trabalho, marido, cachorro e cuidados comigo mesma.

Comecei a escrever no blog em 2016, como “mãe de pet” e se buscar posts antigos, eu sempre usei o termo entre aspas e na maior parte das vezes preferia me nomear como ” a humana do Billy”, porque é o que sou. Ele é meu cachorro e eu a humana dele. O termo “mãe de pet” sempre me causou estranheza quando levado a sério e isso antes mesmo de começar a escrever sobre isso aqui. Afinal, mesmo antes de me tornar mãe, eu sabia que ter um cachorro não era como ter um filho. Embora por muito tempo eu tenha achado que o Billy seria o único “filho” que teria. Então me apaguei demais a ele e ele a mim. Já deixei de ir em compromissos a noite por conta dele, eu andava com ele pra cima e para baixo, pegando Uber e escolhendo lugares próximos de casa para ir ou “pet friendly”. Nada disso me faz ser mãe dele, embora muitas vezes eu o chamasse de filho e até falasse “vem aqui com a mamãe” ou “vai lá com o papai”. Um jeito carinhoso de chamar. Bem diferente de reinvindicar meu direito de ser considerada mãe dele. Aliás, força do hábito: vira e mexe eu ainda o chamo de “meu filho”.

Ser a humana do Billy nunca me fez questionar se eu estaria apta a voltar ao mercado de trabalho, nunca me fez ouvir uma dose de ironia ao falar que eu não iria trabalhar porque meu filho estava doente. Ter o Billy como cachorro nunca me fez virar a noite com ele no colo porque ele não conseguia respirar direito e sentado era o único jeito possível dele dormir. Apesar de amar e amar muuuuuito o Billy e dele ter sido uma salvação pra mim quando eu estava no poço bem profundo da depressão, eu sempre tive a noção de que minhas responsabilidades com ele nunca foram de mãe.

E, então, eu virei mãe. Há 1 ano, 4 meses e 12 dias sou mãe do Benjamin. E eu já disse muitas vezes que nada nem ninguém me preparou para isso. Eu sou curiosa e me interesso por diferentes assuntos, daí saio pesquisando sobre tudo o que se possa imaginar intensamente. Li muito, vi filmes, seriados, conversei com amigas, pedi conselhos, ouvi sugestões… Mas simplesmente nada te prepara para o primeiro tombo, a primeira ida ao médico, a primeira febre, o peito quase sangrando cheio de leite… Moro perto de todos os meus familiares, tenho muita ajuda, sou privilegiada e abençoada em inúmeros aspectos. Ainda assim existem horas que nada disso adianta, pois o bebê só quer a mãe. Benjamin depende de mim para dormir, não dorme fora de casa e passa quase o dia todo bem longe de mim, mas eu tenho hora de sair do trabalho e chegar em casa. Isso pode gerar constrangimento, pois no meio de uma reunião eu sou a única que levanta e fala “sinto muito, não posso ficar até o final pois preciso ir pois meu filho me espera”. Se a coisa toda desanda, já aconteceu de eu ter que levar meu filho até o trabalho comigo… Eu já tinha visto diversas amigas fazerem isso, já cuidei dos filhos de algumas para elas poderem trabalhar. E agora me vejo nesse papel. E, repito, tendo todos os privilégios possíveis que me permitem morar perto da família, ter flexibilidade no trabalho e afins: ser mãe traz um mundo de responsabilidade. É benção. É amor. É uma delícia. Às vezes uma doidera. Privação de sono. Cansaço. Ser mãe dá trabalho. É minha maior aventura até hoje. Amo cada pedacinho do meu filho, mas criar um ser humano vem com um pacote de responsabilidade.

E criar um cachorro? Onde o Billy fica nessa montanha russa de afazeres e emoções? Em casa. Com água, comida, lugar pra fazer xixi. Às vezes chateado porque fatalmente minha atenção não pode ser a mesma que antes. Mas nunca é um problema deixar ele sozinho, afinal o que pode acontecer é ele raspar a porta, comer um chinelo, fazer cocô fora do lugar… Deixar um bebê sozinho? Não tem nem como cogitar isso, né?

Por isso, nesse dia das mães, meu abraço para todas as mulheres que não podem ser mães e se apegam aos seus animais. Eu entendo vocês. Depois da minha primeira gestação que não seguiu em frente, eu achava que não seria mãe. Me apeguei ao Billy, esse serzinho que salvou minha vida e foi o único que me acolhia em meio a crises depressivas e de ansiedade. Eu entendo vocês, saiba disso. Meu respeito a todas as mulheres que simplesmente não querem ter filhos e optaram por ser as humanas de gatinhos e cachorrinhos. Independente do caso, eu entendo, respeito e envio meu carinho e abraço para essas mulheres. Tem muito amor nos atos de vocês. Tem muito carinho. Tem muito cuidado. Tem tudo isso que, sim, são atributos de mães. Mas ser mãe é muito além disso. Criar um ser humano nesse mundo tão louco que vivemos é treta. É uma baita responsa. Nesse dia das mães, vamos parar de romantizar as coisas. Vamos sair das bolhas, das redes… Vamos ouvir a mãe que mora ao lado. Vamos ser abrigo e apoio para aquela colega de trabalho que se tornou mãe recentemente. Escute sua mãe, sua sogra, sua amiga de infância, sua tia, sua prima… Entenda quais sãos as lutas dessas mulheres. Converse com elas. As escute. As abrace.

Como a Sam, editora do blog, sou cristã e é fatal que eu coloque minhas palavras à luz da Bíblia:

“Deus deu a cada um de vocês algumas capacidades especiais; estejam certos de que as estão utilizando para se ajudarem mutuamente, transmitindo aos outros as muitas formas da graça de Deus.”

1 Pedro 4:10

Feliz dia das mães!

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